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Guia: A primeira injeção

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A injeção de estradiol não é tecnicamente difícil — mas a preparação antes e o monitoramento depois costumam ser mais importantes que a injeção em si. Aplicação regular mais exames laboratoriais limpos formam a base de uma terapia eficaz.

Se você já injeta e quer mudar a via de administração, veja o Guia de troca de via de E2. Se ainda está decidindo entre as diferentes formas, consulte a Visão geral das vias do estradiol.


A injeção de estradiol tem uma vantagem decisiva na TH transfeminina: ela contorna completamente o metabolismo de primeira passagem hepática, o que é relativamente mais seguro em caso de função hepática instável, e fornece níveis plasmáticos bem previsíveis. Dados mostram que cerca de 82,6  % das usuárias sob injeções com dosagem adequada atingem monoterapia (sem necessidade de antiandrogênico adicional) [1] .


Faça exames basais 1-2 semanas antes da primeira injeção. A lista corresponde às recomendações em Antes de começar.


Nos primeiros 1-6 meses: a dose inicial recomendada é 1-2  mg/semana [2] [3] . Não comece diretamente com a dose de manutenção (2-4 mg/semana) — a dose inicial baixa protege o desenvolvimento mamário.

Dose inicial e volume de aspiração (a 10 mg/mL)
Dose semanalVolume de aspiração (10 mg/mL)Intervalo
1 mg/semana 0,1 mL a cada 7 dias
2 mg/semana 0,2 mL a cada 7 dias

Não há diferenças significativas na absorção de E2 e supressão de T entre injeção subcutânea (SC) e intramuscular (IM) [4] [7] .

  1. Equilíbrio de temperatura — Retire a ampola da geladeira e deixe 15-30 minutos em temperatura ambiente.
  2. Abrir a ampola — Envolva o pescoço da ampola com gaze e quebre com o polegar para fora.
  3. Aspirar — Coloque a agulha de aspiração (18-20G) na seringa, incline a ampola e aspire o volume desejado.
  4. Trocar a agulha — Remova a agulha de aspiração e coloque a agulha de injeção (SC: 25G; IM: 23G).
  5. Purgar ar — Segure a seringa vertical com a agulha para cima, bata levemente e pressione até aparecer uma gota na ponta.
  6. Desinfetar — Limpe o local com algodão embebido em álcool em movimento espiral. Aguarde 15-30 segundos até secar.
  7. Inserção — SC: faça uma prega na pele, insira em ângulo de 45°. IM: estique a pele, insira em ângulo de 90°.
  8. Injeção e cuidados — Injete uniformemente por cerca de 10 segundos. Retire a agulha. Pressione levemente com gaze seca (cerca de 1 minuto). Não esfregue.

  • Local da injeção: Leve repuxamento, tensão ou um pequeno hematoma são normais e desaparecem em 2-5 dias
  • Humor: Oscilações são possíveis e fazem parte do ajuste hormonal
  • Mamas: Sensibilidade ou tensão geralmente aparecem após 2-6 semanas — na primeira semana, é normal não sentir nada
  • Vermelhidão persistente, calor ou endurecimento crescente no local da injeção (suspeita de infecção local)
  • Sintomas depressivos graves ou pensamentos de autolesão — ligue para o CVV: 188 (Brasil, 24h) ou SNS 24: 808 24 24 24 (Portugal)

Faça coleta de sangue no vale 4-6 semanas após o início. “Vale” significa: vá ao laboratório na manhã do dia da injeção planejada — antes de aplicar a próxima dose.

Ajuste de dose conforme E2 e T no vale
E2 no valeT no valeSignificadoConduta
100-200 pg/mL < 50 ng/dL Alvo atingido Manter dose atual
< 50 pg/mL qualquer Dose muito baixa Encurtar intervalo (7 → 5 dias) ou aumentar dose levemente (máx. 5 mg/semana)
> 200 pg/mL < 50 ng/dL Dose muito alta Reduzir dose
100-200 pg/mL > 50 ng/dL E2 adequado, T não suprimida Adicionar antiandrogênico (como CPA em dose baixa), não aumentar E2 ainda mais

E2 no vale acima de 200 pg/mL geralmente não traz feminização adicional, mas eleva o risco trombótico [2] .